Revisado em: 03/10/2026
Ao estudar o livro de Gênesis, costumamos lembrar de Adão e Eva, Noé e Abraão. Mas há passagens menos conhecidas que também trazem muito ensino. Uma delas é o capítulo 14.
Nele, quatro reis enfrentam cinco reis em uma guerra no vale de Sidim. Ló, sobrinho de Abrão, é levado prisioneiro. Ao saber disso, Abrão reúne seus homens e parte para resgatá-lo.
O texto vai além da batalha. Ele apresenta Melquisedeque, registra o primeiro dízimo mencionado na Bíblia e mostra a recusa de Abrão em enriquecer à custa do rei de Sodoma.
Para acompanhar, você pode ler o texto completo em Gênesis capítulo 14. Os versículos citados aqui seguem a versão NVI.
- Versículo-chave: Gênesis 14:19-20 (NVI)
- Tema: batalha dos reis, resgate de Ló, Melquisedeque, dízimo e recusa de Abrão
- Para quem é: quem estuda o livro de Gênesis e quer entender este capítulo com calma
“Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra. E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou seus inimigos em suas mãos.”
— Gênesis 14:19-20 (NVI)
Historical Context
Gênesis 14 descreve uma guerra entre quatro reis e cinco reis. O confronto acontece no vale de Sidim, onde fica o mar Salgado (Gênesis 14:3). Esse vale era cheio de poços de betume (Gênesis 14:10).
Os cinco reis haviam servido a Quedorlaomer por doze anos. No décimo terceiro ano, eles se rebelaram. No décimo quarto, Quedorlaomer e seus aliados atacaram (Gênesis 14:4-5).
O capítulo mostra uma região dividida em várias cidades-estado, cada uma com seu rei. Sodoma e Gomorra aparecem aqui como cidades derrotadas em guerra. Mais tarde, a Bíblia as retoma como exemplo de pecado, em Gênesis 19.
Neste capítulo, o patriarca ainda se chama Abrão. O nome muda para Abraão em Gênesis 17. Gênesis 14:13 também é a primeira vez em que a Bíblia o chama de hebreu.
Main characters
Veja quem são as figuras centrais do capítulo 14 de Gênesis.
Anrafel, rei de Sinear
Anrafel é um dos quatro reis aliados contra as cidades de Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Belá (Gênesis 14:1-2). O texto não diz mais nada sobre ele. Sabemos apenas que governava um território importante e participou da coalizão.
Quedorlaomer, rei de Elão
Quedorlaomer aparece como o líder da coalizão. Os cinco reis haviam servido a ele antes da rebelião (Gênesis 14:4-5).
Ele derrota os reis rebeldes, saqueia as cidades e leva Ló como prisioneiro. É o principal antagonista da história.
Bera, rei de Sodoma
Bera lidera os reis de Sodoma e Gomorra na batalha. Na derrota, os reis fogem, e alguns de seus homens caem nos poços de betume (Gênesis 14:10).
Mais tarde, o rei de Sodoma encontra Abrão no vale de Savé. Ali ele faz a oferta que Abrão recusa (Gênesis 14:17, 21).
Ló, sobrinho de Abrão
Ló morava em Sodoma e, por isso, foi levado junto com seus bens (Gênesis 14:12). Seu resgate é o que move Abrão à ação.
Melquisedeque, rei de Salém
Melquisedeque é uma figura misteriosa. O texto o apresenta como rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo (Gênesis 14:18).
Sua aparição é breve, mas ele volta a ser citado em Salmos 110:4 e é desenvolvido em Hebreus 7.
Central Conflict
O conflito central de Gênesis capítulo 14 opõe quatro reis a cinco reinos. A disputa envolve o controle de territórios e de recursos.
A batalha dos reis
De um lado estavam Anrafel de Sinear, Arioque de Elasar, Quedorlaomer de Elão e Tidal de Goim. Do outro, Bera de Sodoma, Birsa de Gomorra, Sinabe de Admá, Semeber de Zeboim e o rei de Belá, que é Zoar (Gênesis 14:1-2).
Os quatro reis venceram. Eles saquearam Sodoma e Gomorra e levaram Ló com tudo o que ele possuía (Gênesis 14:11-12).
O resgate de Ló
Um sobrevivente avisou Abrão sobre o que havia acontecido. Ele convocou trezentos e dezoito homens treinados, nascidos em sua casa, e perseguiu os inimigos até Dã (Gênesis 14:13-14).
Abrão atacou durante a noite, em grupos, e os perseguiu até Hobá, ao norte de Damasco. Recuperou todos os bens, trouxe Ló de volta e libertou as mulheres e os demais prisioneiros (Gênesis 14:15-16).
Abrão não estava sozinho. Manre, Escol e Aner eram seus aliados (Gênesis 14:13) e, no fim, receberam a sua porção (Gênesis 14:24).
A Aparição de Melquisedeque

Quando Abrão voltava da vitória, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Savé (Gênesis 14:17). Então surge Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo.
Ele trouxe pão e vinho e abençoou Abrão (Gênesis 14:18-19). Na bênção, que aparece em destaque no início deste artigo, ele atribui a vitória ao Deus Altíssimo.
Muitos leitores associam Salém a Jerusalém, mas o texto não afirma isso. O nome Melquisedeque é explicado em Hebreus 7:1-2 como ‘rei de justiça’, e Salém significa ‘paz’.
A leitura cristã costuma ver nele uma figura que aponta para Cristo, com base em Salmos 110:4 e Hebreus 7. Na tradição católica, o pão e o vinho são lidos como prefiguração da Eucaristia. Outras tradições veem um gesto de hospitalidade e comunhão. A interpretação varia entre as tradições cristãs.
O Dízimo a Melquisedeque
Depois da bênção, o texto registra uma frase curta: Abrão lhe deu o dízimo de tudo (Gênesis 14:20). O dízimo é a décima parte de rendimentos ou bens, prática presente no judaísmo e no cristianismo.
O versículo não explica o motivo. Muitos leitores entendem o gesto como gratidão e como reconhecimento de Melquisedeque como sacerdote do Deus Altíssimo.
A passagem é citada por algumas igrejas como exemplo de generosidade e para defender a prática do dízimo. Outras leituras observam que o episódio aconteceu uma única vez, e que o dízimo veio dos bens recuperados na guerra.
Por isso, o tema divide opiniões entre as tradições cristãs. Esta é apenas uma das leituras possíveis da história.
A Recusa de Abrão às Riquezas do Rei de Sodoma
Depois da vitória, o rei de Sodoma fez uma proposta. Ele pediu as pessoas de volta e disse que Abrão podia ficar com os bens (Gênesis 14:21).
Abrão recusou, e o próprio texto explica o motivo.
“De mãos levantadas ao Senhor, o Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra, juro que não aceitarei nada do que pertence a você, nem mesmo um cordão ou uma correia de sandália, para que você jamais venha a dizer: ‘Eu enriqueci Abrão’.”
— Gênesis 14:22-23 (NVI)
Abrão não queria que alguém pudesse atribuir sua riqueza a um rei. A atitude é lida como sinal de integridade e de confiança em Deus como provedor.
Ele também foi justo com os outros. Aceitou apenas o que seus servos haviam comido e pediu que Aner, Escol e Manre recebessem a sua porção (Gênesis 14:24).
Abrão agiu por lealdade a Ló, agradeceu a Deus pela vitória e protegeu a própria integridade. Em qual dessas três atitudes você sente mais necessidade de crescer hoje?
Conclusion
Gênesis 14 mostra um Abrão corajoso, leal à família e atento aos aliados. Ele também reconhece, junto com Melquisedeque, que a vitória veio do Deus Altíssimo.
Sua recusa dos bens do rei de Sodoma deixa uma lição sobre integridade e confiança. O capítulo convida o leitor a pensar em gratidão, justiça e independência de quem busca vantagem.
See also: Gênesis Capítulo 15: A Promessa de Deus a Abrão
Frequently Asked Questions
O que acontece em Gênesis 14?
Quatro reis derrotam cinco reis e levam Ló, sobrinho de Abrão, como prisioneiro. Abrão o resgata com seus homens, é abençoado por Melquisedeque e recusa as riquezas do rei de Sodoma.
Quem foi Melquisedeque na Bíblia?
Foi rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, que abençoou Abrão (Gênesis 14:18-20). Ele volta em Salmos 110:4 e em Hebreus 7, e a leitura cristã costuma vê-lo como figura de Cristo.
Por que Abrão deu o dízimo a Melquisedeque?
O texto apenas diz que ele lhe deu o dízimo de tudo (Gênesis 14:20). Muitos leitores veem gratidão e reconhecimento, mas a interpretação varia entre as tradições cristãs.
Por que Abrão recusou os bens do rei de Sodoma?
Segundo o próprio texto, para que ninguém pudesse dizer que enriqueceu Abrão (Gênesis 14:23). Ele aceitou apenas o que seus servos comeram e a porção de seus aliados.







